‘Golpe do chip’ faz vítimas em Bauru

Em caso parecido com o de Marcela Temer, engenheiro teve prejuízo de R$ 11,5 mil após chip ser clonado e suas senhas bancárias, descobertas.

Qual é o limite para a troca de dados sigilosos pelo celular e até que ponto estamos seguros ao ativar tantos aplicativos e redes sociais de forma automática?

Em Bauru, um engenheiro civil de 31 anos teve prejuízo de R$ 11,5 mil, após ter seu chip clonado. O fato foi descoberto após a linha telefônica do celular dele parar de funcionar na terça-feira.

Na ocasião, a vítima ligou para sua operadora e descobriu que alguém havia feito a habilitação de um novo chip para a mesma linha, desabilitando, posteriormente, o chip original.

Na sequência, o engenheiro descobriu três operações em sua conta bancária, que somaram o prejuízo citado. O fato foi registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ) e a investigação, conduzida pelo delegado Rogério Dantas, terá início a partir desta segunda-feira (20).

O caso se assemelha ao noticiado, recentemente, envolvendo a primeira-dama Marcela Temer que, após ter o chip clonado e mensagens copiadas, foi vítima de tentativa de extorsão.

O fornecimento espontâneo de dados e senhas em aplicativos desprotegidos, principalmente via WhatsApp, são facilitadores deste tipo fraude. Algumas dicas básicas ajudam dificultar a vida do estelionatário (veja no quadro no final).

COMUNS

Especialista em crimes digitais, o advogado José Antônio Milagre diz esse tipo de crime está cada vez mais comum.

“Atendendo média de cinco casos por mês assim. Houve fraude em que a vítima chegou a ter prejuízo de R$ 600 mil”, pontua.

Ele explica que este tipo pode ocorrer de várias formas. Em uma delas, mais recorrente, o golpista obtém o número da linha da vítima por meio de grupos no WhatsApp.

Na sequência, o hacker, aliás, o estelionatário, consegue a ativação da mesma linha em outro chip, por meio de contatos ou falhas de segurança em uma agência operadora. Com a linha da vítima em mão, o estelionatário baixa os aplicativos e consegue acesso a todos os arquivos e conversas e, por consequência, senhas salvas em nuvem cibernética.

Também existe o chamado pishing scam (golpe da pescaria), no qual o golpista, por meio de links e e-mails falsos ou conteúdos (imagens e vídeos) contaminados, consegue acesso aos dados pessoais e bancários da vítima. “De posse dos dados pode-se solicitar um novo chip apenas dizendo que o perdeu, por exemplo, pois estas operações não pedem senha”, explica Milagre.

O QUE FAZER?

O ideal nestes casos, segundo o advogado, é ligar para operadora e exigir o bloqueio da linha. E solicitar o endereço de onde a troca do chip foi realizada. Na sequência, a vítima deve ir até lá e requerer as filmagens de câmeras de segurança, para tentar identificar o autor.

“Neste caso, as transferências bancárias foram pela internet, portanto, certamente a vítima está com algum equipamento infectado tendo clicado ou acessado algum conteúdo ou arquivo malicioso [malware]”, completa Milagre.

Apesar do caso registrado em Bauru, o delegado Seccional Ricardo Martines não acredita que haja atuação de uma quadrilha na cidade. “É o primeiro caso que eu soube em Bauru, isso tem ocorrido no País todo”, finaliza.

Mais um caso

Na última quinta-feira (16), outra fraude de clonagem de linha telefônica de celular foi registrada em Bauru. Desta vez, por um morador de Mairiporã, que veio até a cidade em busca das filmagens das câmeras de segurança de uma agência operadora, a qual teria realizado transferência de sua linha para outro chip, no dia 10 de fevereiro. Em boletim de ocorrência, o advogado de 42 anos diz que tem enfrentado irregularidades em sua conta bancária. O caso também será investigado.

Ativar criptografias e senhas é ‘imprescindível’, alerta o especialista

Para se valer da Lei Carolina Dieckmann, a vítima de fraude precisa provar que seu equipamento era protegido com senhas e bloqueios de tela. “O delito é configurado quando há rompimento de obstáculo de segurança”, ressalta José Milagre, advogado e perito digital.

Quando a fraude envolve transferência de valores, como no caso citado, ao ideal é solicitar tanto a quebra de sigilo da linha telefônica, quanto a quebra de sigilo bancário da vítima, para tentar chegar ao autor ou comparsa. “Em alguns casos, o banco acaba sendo responsabilizado e é obrigado a compartilhar o prejuízo financeiro”, detalha o advogado.

Ativar serviços de criptografia e de senhas, no próprio celular e em aplicativos, e apagar sempre o histórico, tanto do celular quanto de conversas em aplicativos, ajudam a dificultar fraudes.

CUIDADOS COM O CELULAR

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FONTE: JCNET.COM.BR